Por Gabriela
Assisti há pouco tempo um documentário chamado “Razões para guerra” (“Why We Fight”), sobre o qual venho passando muito tempo pensando. O filme retrata os reais motivos norte-americanos que os levam a tanto guerrear. Como praticamente tudo na sociedade, os interesses são muito mais político-econômico do que morais.
Agora, um acontecimento paralelo: enquanto andava pela cidade, reparei em uma parede na qual alguém escrevera “Cansei de ser moderno” e recebera como resposta “Você nunca foi”. A relação com o documentário? O fato de que mentiras, ilusões e enganações - sejam em guerras ou em quaisquer outras situações – não serem nem um pouco modernas.
Ano de 1905. Papa Urbano II convoca o Concílio de Clerment, durante o qual ele informa todos os fieis (ou não fieis) de que poderiam garantir um lugar no céu, independentemente de pecados passados. Como contribuição, teriam que participar das Cruzadas. Nenhum jeito mais eficaz de atrai as pessoa do que propondo um “sentido para suas vidas”, uma “remissão de pecados”, uma “solução para todos os problemas”. Afinal, quem se colocaria contra isso? Resumindo, a Igreja fez uso de carências, preocupações e ambições humanas para convencer as pessoas a participar de uma disputa que a fortalecesse. A história lhe é familiar?
Avancemos um pouco no tempo. Século XXI. Segunda guerra do Iraque. O então presidente norte-americano George W. Bush convenceu toda a população a participar (ou, no caso dos não-militarizados, apenas ser a favor) de uma guerra armada contra o Iraque. O objetivo proclamado? Busca pela liberdade. É este o cenário retratado pelo documentário “Razões para guerra”.
O filme inicia com um discurso de Eisenhower, pelo qual ele se torna pioneiro no uso do termo "complexo industrial militar". Tal conceito resume bem o fato de os interesses militares serem inseparáveis dos interesses industriais, políticos e econômicos. Essa relação é explorada durante todo o filme, que acaba por revelar que as corporações armamentistas são as principais financiadoras e incentivadoras da guerra. Entretanto, não é a partir desse interesse que o governo convence toda a população a apoiá-lo. Isso também é mostrado no documentário. Dezenas de norte-americanos foram entrevistados com a pergunta “Por que você acha que fazemos guerra?”. A resposta, praticamente unânime, era “Pela liberdade”.
O que alguns faziam há mais de um século continua sendo feito: uso (ou será abuso?) de conceitos que são nitidamente almejados – liberdade, salvação, perdão, paz – para manipulação. Como contribuição, contam também com a falta de disposição pela busca da realidade. Além da preguiça de pensar/questionar, da alienação, do comodismo. Pergunto-me, então, até que ponto as atitudes das pessoas se originam de interesses universais? Até que ponto os objetivos almejam realmente um bem comum? Acredito que não muit. Então, mais do que isso, até quando a alienação mundial permitirá que tais interesses sirvam apenas de máscara para interesses pessoais e egoístas?
Recomendo. Mais do que isso: obrigo qualquer um que tenha lido o texto da fré a assistir esse filme.
ResponderExcluirAcredito que possa ser encontrado em qualquer videolocadora, na área de documentários.
E, mesmo se você não for um grande fã dos mesmos, é um filme essencial.
Ao lado a legenda e a foto
(Edson)