Por Edson Bossonaro

Se um dia para manter a supremacia patrícia os senadores romanos organizavam golpes e se livravam a apunhaladas daqueles que feriam a íntegra dos interesses das elites, hoje basta uma pitadinha de ignorância, algumas palavras, um pouco de tinta, papel e muita hipocrisia: mistura-se tudo e distribui à 2,30 diários na casa de cada um.
Debatam-se à vontade, busquem qualquer argumento para se desvencilhar daqueles que condenam, não importa; a cara da nossa elite não é a do intelectual educado, a do homem engajado e responsável, a do defensor incondicional da democracia e da liberdade: é a do pistoleiro, grileiro agrícola, corrompedor do fiscal, faroeste, coronel, do senador romano, do grande causador das mazelas do mundo. E para tal continuar assim, basta utilizar a sua grande arma escondida por baixo do pano: a mídia.
Liberdade de expressão que que é restrita à 10 corporações, liberdade de imprensa que na realidade é liberdade de empresa, liberdade de expressão que institui a ditadura da informação, liberdade de expressão que condena movimentos sociais (tachados de baderna, vandalismo, subversivos) e defende golpes militares (policiais saírem às ruas do Equador, declaradamente para matar Correa, e obrigarem várias pessoas a dormir aquele dia nos hospitais, é manifestação democrática). Liberdade de expressão que defende a lei acima de tudo, mas que quando convém esconde a mesma. Liberdade de expressão que só é defendida enquanto forma de manutenção de status.
E como consegue fazer tudo isso? Absurdamente fácil. Bastam algumas manipulações e omissões, um povo nada engajado, uma juventude alienada e uma elite que sabe muito bem como fazê-lo. Basta esconder toda a sua sujeira por trás de palavras de defesa universal incontestáveis, como democracia e liberdade.
Ninguém é contra a liberdade. E democracia, mesmo com todo o flagelo (proposital) semântico que sofreu, ainda soa como uma coisa legal para os desinformados. Não me espantaria se eu perguntasse para uma jovem em uma festa o porquê de ela defender a democracia, e ela me respondesse ''por que é fofinho''.
Pois bem, não é exatamente o que o império americano faz? Em seu alicerce de guerra permanece constantemente buscando novos conflitos. Basta o presidente ou o ministro de relações exteriores subir ao microfone e falar que está a '' lutar pela liberdade, pela democracia e pela justiça'', que ''a polícia internacional norteamericana está a devolver a liberdade'' para um povo, que o mundo inteiro aplaude, quando na realidade, por trás das belas palavras de apoio universal escondem-se as garras de milhares de transnacionais com as malas prontas para zarpar para o novo país e um enorme complexo bélico-industrial pressionando a invasão.
Logo, a nossa mídia e nossa elite não são tão diferentes assim dos grandes impérios da nossa história e da nossa atualidade. O império romano cresceu como nome de república, atingiu seu ápice e depois não tardou a desmoronar. Tantos outros impérios da nossa história seguiram a mesma trajetória. O império norteamericano está seguindo o mesmo caminho hoje em dia, e não parece que vá se recuperar, pelo menos com real estabilidade.
Já está na hora de as nossas elites fazerem o mesmo
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