Por Edson Bossonaro
Aqui se segue um tópico que me chamou a atenção do ''observatório de imprensa'', um site muito bom, por sinal, como mídia alternativa à grande imprensa, mas que neste artigo senti que não conseguiram passar de um vôo raso sobre tal delicado assunto, nos deixando uma pergunta : Será mesmo, liberdade de expressão, esse poder que a grande mídia tanto reivindica? Sendo esta liberdade, é coerente o fato de ela se restringir aos interesses de uma minoria, e mais: só ser acessível à mesma? Sendo esta liberdade, é coerente o fato de ela acorrentar o pensamento das massas aos seus objetivos? Sendo esta liberdade, e agindo esta em uma democracia, é coerente o fato de o povo não ter acesso a tal liberdade, ou ao menos de compreender ou informar-se sobre quem a detém e quais são seus envieses? Bom, sem mais demoras, segue-se o dito-cujo artigo.
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=614IMQ012
Concordo sim, em parte, com o que aqui foi declarado. É verdade sim que "As críticas do jornalismo livre ajudam ao País e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório" - porém, na prática não é bem isso que acontece.
Na realidade, o que enfrentamos hoje (de maneira mais intensa) não são críticas construtivas, e sim manipulações visando ilações não somente tendenciosas, mas incorretas, formatadoras do pensamento dos consumidores de suas notícias, objetivando, a qualquer custo minar aquela que não apresenta, em sua plataforma de governo, à integra os interesses de uma elite mercantil (digo, que apenas está interessada em extrair o máximo de riquezas possíveis à curto prazo de seu país, para então zarpar o navio e largar o social à própria sorte). Para tal, serve-se dos meios mais baixos possíveis, desde notícias enviesadas, até a fomentação de um ódio golpista à candidata petista, feitos por uma mídia monopolizada por 10 famílias que detém impérios midiáticos conjugados aos interesses das elites (por sinal, na maioria dos casos, os donos das redes de imprensa detém, eles mesmos outros meios de produção, como empresas petrolíferas ou de produção cultural - gravadoras, editoras e etc.).
Não costumo usar de exemplo os países europeus, pois acho sua democracia falha de cabo à rabo, começando pelo meio como foi estruturada, mas aqui cabe dizer que em muitos deles, a existência de órgãos de fiscalização de mídia é coisa básica, essencial, buscando garantir a integridade das notícias divulgadas, manter a condizência com a realidade dos fatos e impedir que em meio ao anseio por minar seus adversários divulguem por ímpeto ''informações'' não comprovadas ou sem base, ou seja: um órgão para garantir (ou ao menos buscar, visto que a mídia ainda possui o artifício da omissão e o perigosíssimo da expressões tendenciosas que formulam mentiras vestidas de verdades) o direito democrático de acesso à informação.
Agora, quando vem a ser discutida a aprovação de um Órgão Fiscalizador de Imprensa no Brasil, as elites e a grande mídia apontam o dedo para o governo e chamam Lula de "totalitarista", "ditador", que está a "ferir a democracia e a liberdade de expressão" (argumento que por sinal é falho desde a primeira palavra, visto que temos uma mídia totalmente antidemocrática, e ainda por cima, liberdade de expressão não abrange liberdade para empresas privadas - como o são os impérios da mídia). A nossa mídia é hipócrita desde as suas raízes, visto que a ''liberdade de expressão'' que tanto defendem, na realidade é mais uma manifestação do status quo de uma elite udenista com fortes caráteres fascistas que parte do princípio de um direito natural de governar. Uma elite midiática que tanto defende a liberdade expressão, mas a restringe às classes sociais mais abastadas, uma vez que vai afunilando o acesso à divulgação de informação, expandindo seu império, comprando pequenas imprensas, canais e estações de rádio (o que por sinal é ilegal, visto que nenhuma corporação pode possuir mais de 5 canais ou meios de comunicação). É essa elite jagunça, ostensiva, aristocrática e patrícia que só pensa na política como forma de manutenção de sua supremacia econômica e social, no país como uma mina de onde se extrai todas as riquezas e depois abandona, na oposição como uma lupem que ameaça seu direito natural ao governo (o que pode ser percebido na agressividade com alicerce no desespero do discurso conservador que assiste a população se recusando à volta de um governo psdbista) e na pobreza como simples obstáculo ao crescimento do país. É esse o pensamento da majoritária parte das minorias que por muitos anos mandaram em nosso país, evidenciado pela triste participação da mídia (nada democrática) na vida social brasileira, que ultrapassou os limites do aceitável durante esse período de eleição que antecedeu o que eu aqui exponho.
Portanto, não dá para se falar em democracia sem se falar em liberdade de pensamento (o que há muito vem sendo minada pela mídia), assim como não dá para se falar em justiça social, sem se falar em justiça nas fontes de informação, principalmente em um país no qual o espectro da falta de engajamento político é quase que geral.
-Por Edson Bossonaro
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