A dissonância será bela

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domingo, 7 de novembro de 2010

Contrariedade da liberdade

Por Gabriela
Ainda sobre a tão almejada liberdade, me pergunto constantemente: o que define alguém como "livre"? Governo, mídia, elite, povo. Cada um constantemente se diz em busca de uma liberdade, que talvez não passe de um termo abstrato e, principalmente, utópico. Como já disse Rousseau, livre é aquele que age segundo os próprios extintos e vontades, isento de quaisquer influências ou pressões externas. Não consigo imaginar tal possibilidade na sociedade em que vivemos.
Para constar, não estou, de forma alguma, me colocando contra o almejo à liberdade ou contra a mídia, como fonte de informações. Muito pelo contrário, acredito que o primeiro passo para a liberdade seja o acesso às informações. Tais informações, entretando, devem ser fornecidas sem qualquer subjetividade (quando não claramente defensoras de alguma opinião, deixando claro o objetivo da matéria como ponto de vista, e não como fato). E a primeira característica utópica da liberdade consiste nesse ponto: a objetividade é algo cada vez mais inalcancável. No simples e inevitável ato de escolher qual tema abordar, já se faz uso de certa subjetividade. O desafio se estende, tendo em vista as demais escolhas: foco da reportagem, uso (ou não) de uma imagem, pessoa a ser entrevistada, adjetivos a serem utilizados. Por mais que o escritor tente não ser subjetivo, a tarefa é, no mínimo, complicada.
Além disso, a grande maioria da população se vê em uma constante necessidade em convencer os outros de que a opinião própria é melhor do que as demais. É uma necessidade hedonista a qual, infelizmente, estamos todos sujeitos. Como esquecer tal necessidade ao ter a possibilidade de escrever algo que todos irão ler? E, mais do que isso, que muitos (ignorantes) tomarão como verdade absoluta? O ser humano é imperfeito. É egoísta. É vaidoso. É subjetivo. Isso é um fato, que devemos ter sempre em mente.
Agora, partindo do pressuposto - bem hipotético - de que uma informação livre de julgamentos nos fosse fornecida. Ou, até mesmo, em uma situação não tão improvável, de uma leitura de textos opiniativos/argumentativos. O desafio agora é outro: fazer bom uso de informações para então transformar em conhecimento. Como já devem ter ouvido, "a inteligência ficou cega de tanta informação". A frase é genial. As pessoas, muitas vezes, confundem inteligência com informação. Informação com conhecimento. E conhecimento com opinião. Para alcançar a tal liberdade, é preciso passar por todas as etapas. As informações não são disponibilizadas. Delas, devemos criar conhecimento. E, para isso, é preciso um julgamento próprio. Análise, questionamento, investigação. Dessa forma, cria-se uma opinião própria. Talvez seja isso que falta para a sociedade. Opinião própria. Volto à minha pergunta: o que é ser "livre"? Até onde eu sei, é impossível ser livre sem ter uma opinião própria. Cada vez mais, as pessoas são convencidas a acreditar em alguma coisa. O conformismo as domina. A publicidade e a mídia criam uma máscara pronta para as pessoas. E as pessoas usam tais máscaras. Padrões de beleza, padrões de pensamento, padrões de atitudes. As pessoas buscam máscaras, para tentar se encaixar em todos esses padrões, impostos insaciavelmente pela mídia. O que, talvez, não saibam é que estas máscaras não as protegem de nada. Apenas prendem. Então, se o almejo à liberdade não passar de uma busca pela máscara, este será, na realidade, o caminho à própria prisão. Fuja da máscara. Pense por conta própria. Se aproxime da liberdade. Quem sabe, um dia, consigamos alcancá-la?

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