Monsanto
PCB – componente das baterias de maquinarias e automóveis cujo uso foi proibido na maioria dos países, incluindo Canadá e UE; o insumo das mínimas quantidades do mesmo é passível de causar hepatites e cânceres diversos, entre as principais doenças. No Texas, por exemplo, na cidade de Aniston, todos os trabalhadores de uma fábrica da Monsanto foram contaminados através da água e do solo pelo PCB que era despejado nos córregos; o limite da concentração de PCB no corpo humano é 4ppb, mas na população da comunidade, eram encontradas concentrações de até 250ppb, o que causou inúmeras mortes e deixou centenas com doenças irreversíveis. A Monsanto foi processada, depois que 30 mil pessoas saíram as ruas para protestar, pedindo alguma resposta à transnacional. A mesma foi processada em alguns milhões, diluídos entre os acionistas, mas nenhum de seus dirigentes sequer foi questionado sobre a perversidade do ocorrido.
Patentes – As Monsanto está rapidamente submetendo ao seu arsenal de patentes um número cada vez maior de sementes, ao mesmo tempo que fale e aglutina todas as empresas bioquímicas do agronegócio pelo mundo (em 15 anos, 50 empresas, inclusive aquelas que já detinham monopólios pelo mundo, a exemplo do algodão indiano, quando a maior empresa produtora de algodão foi vendida para a Monsanto, que tornou-se a única do país, retirando do mercado todas as variedades de algodão que não o Algodão BT – OGM; porém, a transgênica do algodão foi um fracasso, desolando plantações, falindo comunidades inteiras de produtores de algodão. Foram 650 os suicídios, somente em 2007, atribuídos às colheitas nulas causadas pela doença desenvolvida pela variedade transgênica), adquirindo o monopólio mundial que a permite definir arbitrariamente os preços das sementes e dos herbicidas e fertilizantes que o uso de tais sementes necessariamente requisita (e que ela mesmo produz), além de obrigar todos os agricultores a comprarem aquele OGM, uma vez que este torna-se, muitas vezes, a única disponível no mercado, afunila as variedades naturais de plantas pelo cruzamento “acidental” de genes transgênicos entre espécies, através da polinização, ou através do organismo de insetos e pássaros, espalhando o transgenismo para outras espécies, obrigando muitos agricultores a passarem a usar os herbicidas e fertilizantes da Monsanto, o que inevitavelmente leva, ao fim de algum intervalo de tempo, à adesão ao OGM patenteado pela mesma, ainda que haja intensa resistência – como no Paraguai, México e Índia. O monopólio da Monsanto define elevadíssimos preços de sementes e complementos agrícolas, e, quando convém, baixíssimos preços de produtos agrícolas finais, importados pelos países subdesenvolvidos, levando à falência dos agricultores tradicionais e, consequentemente, das variedades não-geneticamente modificadas, forçando a adesão ao OGM.
Além de serem obrigados a pagar elevadíssimos royalties à Monsanto, os agricultores são obrigados a comprar novas sementes periodicamente, uma vez que uma alteração genética (da soja) realizada pela corporação fez com que aquela variedade não produzisse novas sementes férteis, impossibilitando a autonomia da produção. Os elevados preços das sementes transgênicas e dos aditivos agrícolas, aliados aos igualmente perversos monopólios da logística, concentrados nos bancos que dominam os silos, o transporte, as processadoras e distribuidoras, além das empresas de tecnologia de maquinarias e das alavancas proporcionadas aos latifundiários – mais rentáveis - pelas linhas de crédito, obrigam os pequenos agricultores a contraírem pesadas dívidas para obter a linha de crédito, visando pagar as sementes suicidas e, inevitavelmente, os herbicidas e agrotóxicos especiais para aquela OGM – a semente somente é resistente à um tipo de herbicida ou agrotóxico, também patenteado pela Monsanto. Não podendo, obviamente, pagar a dívida contraída, os pequenos são obrigados a entregarem suas terras aos bancos, repassadas aos grandes proprietários ou reservadas à especulação.
Sendo esta uma corporação imensurável, a Monsanto é anistiada pela lei vigente que torna as corporações pessoas civis, ou seja, define que dirigentes e acionistas não podem ser, sob nenhuma condição, responsabilizados por qualquer infração na lei atribuída à transnacional , sendo apenas passível de receber multas, estas diminuídas por contarem com a barganha dos escritórios privados de advocacia e, uma vez já reduzida, diluída entre todos os acionistas, representando uma parcela ínfima – ridícula – do lucro da empresa, que não vê, portanto, nenhum impedimento real às suas decisões arbitrárias, como governasse uma plutocracia lobista declarada. Além disso, não há nenhuma lei que force as corporações a serem transparentes, prestarem contas com a sociedade civil de quaisquer que sejam suas decisões, pesquisas. Desta forma, abre-se margem para as infinitas transgressões: relatórios de cientistas são falsificados (exemplo: criação de site em nome de dois cientistas inexistentes para difamar a líder de resistência aos OGM do milho mexicano); relatórios de testes omitidos, deturpados ou forjados, muitas vezes nem realizados, ou então com os seus efeitos colaterais engavetados como “confidenciais” (exemplo: POSILAC para aumentar em 20% a produção de leite, declarado como livre de efeitos colaterais e declarado como “o produto mais testado do mundo”, quando na realidade se repetiu o mesmo teste infinitas vezes e ocultou-se que este causava câncer no homem, a doença mamite no gado – que forçava o uso de antibióticos que chegavam ao homem por meio do leite – e a presença de pus no leite. Exemplo também do Roundup Ready, declarado como “herbicida biodegradável”, quando nem mesmo haviam sido feitos os testes de seus efeitos colaterais, sendo depois acusado de propagando enganosa). Todas as mortes causadas pelos produtos da Monsanto, como as dioxinas presentes nos fertilizantes, ditas inofensivas, mas que contaminaram 228 operários da fábrica de Nitro, do herbicida 257-T, causando disfunções inúmeras, deformações nos fetos, nascimentos com anomalias inúmeras e disfunções cerebrais, além de câncer; alguns meses depois, o herbicida 247-T foi usado como arma química pelo exército americano na retirada da invasão ao Vietnã, o chamado Agente Laranja, que afetou 3 milhões de pessoas. Nunca, nenhum dirigente da Monsanto foi responsabilizado pelo ocorrido, e dentre todos os casos que se pode denunciar, são pouquíssimos os que foram penalizados com multas.
A Monsanto cresce, faz novas pesquisas sobre variedades do trigo, do arroz, frutas, hortaliças, cereais, produtos agrícolas energéticos, como a cana. As patentes se expandem, assim como a concentração de terras, o encarecimento dos alimentos e dos preços administrativos pelo mundo todo, acentuado pela crise financeira que se estende entre 2008 e 2011, acelerando a compra de terras especulativas.
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