A dissonância será bela

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sábado, 30 de abril de 2011

DESABAFO: POLÍCIA MILITAR

Prometi para mim mesmo ontem que não ia tornar isso público, mas pensando a que ponto o absurdo da ação da nossa polícia militar tornou-se, não dá para simplesmente guardar, me silenciar, esquecer.
Ontem caminhando por uma rua escura com dois amigos, olhamos para trás e vimos dois homens encapuzados nos seguindo. No momento em que os dois gritaram para nós pararmos, nós pensamos que fossem assaltantes, os dois amigos meus correram e eu por sorte (?) vi que o sujeito portava algo prateado, que sugeria ser uma arma. Sem identificarem-se, os dois correram até mim, que permanecia parado com as mãos levantadas; um deles me abordou e o outro correu atrás dos meus amigos. Somente depois que me foi ordenado que encostasse em um muro e depois de ter me revistado o sujeito se identificou: polícia militar contratado pelas casas milionárias da moraes (rua em que estávamos) para guardar seu patrimônio: pensavam que nós estavamos assaltando os carros daquela rua, principalmente por que um deles estava com a porta destrancada.
Brincando de policial bonzinho e policial malvado, os dois iam me apresentando discursos em tons opostos: enquanto o primeiro que me abordou tentava parecer mais calmo e compreensivo, o segundo de tempos em tempos parava a moto perto de mim e me ameaçava. Pedi calma, ele me disse que eu ainda não havia visto ele bravo, e que se eu quisesse eu teria a hora que eu decidisse. Pedi para ele guardar a arma, que se acalmasse para não fazer nenhuma besteira, porque eu conhecia os meus direitos e os dele, e que se abusasse de seus direitos eu teria que chamar um advogado ou chamar outra viatura. Sem dar nenhuma bola, aproximou-se de mim e mandou eu repetir se fosse homem, enquanto o o outro fingia que não via e ia passear pela calçada. O da moto me disse que era melhor para mim que eu calasse a boca e rezasse para os meus amigos voltarem para me buscar - isso para mim é uma ameaça claríssima; se meus amigos não voltassem eu estaria alhures com a boa vontade do polícia.
Por mais uma meia hora, quarenta minutos fiquei ali, sentado, conversando com o polícia bonzinho. Meus amigos voltaram, escutaram mais algumas merdas e depois fomos liberados.

Sinceramente, sei que esse caso não é nada perto daqueles que escutamos todos os dias - ou melhor, que acontecem todos os dias, mas que raramente são comentados, a não ser quando ocorridos com gente da elite ou quando alcançam proporções tais que consigam garantir alguma audiência aos jornais nacionais, como a milícia paulistana de pm's acusada de mais de 150 assassinatos - mas me fez sentir nos nervos, nas lágrimas de ódio o papel nojento que esse batalhão que vê-se acima da lei exerce na nossa sociedade brasileira.
ELES NÃO ESTÃO AÍ PARA GARANTIR A INTEGRIDADE DOS DIREITOS DA POPULAÇÃO, para garantir que a lei não seja desrespeitada, ou seja, aplicar a lei mesmo que às vezes, quando necessário, com o uso de alguma violência,À TODAS AS PARCELAS DA POPULAÇÃO QUE A DESRESPEITEM.
A nossa polícia não está aí para garantir direitos. Está aí para garantir PRIVILÉGIOS. Não está aí para proteger os cidadãos, está aí para proteger PROPRIEDADE. Está aí para garantir a permanência da falácia absurda de que o direito à ''propriedade é um direito inalienável'', mesmo quando esse não é um direito, é um privilégio, e quando direito à propriedade é substituido para direito de acumulação de propriedade, de capital, de poder.
É assim que funciona nosso sistema econômico e social: quem tem poder econômico passa a acumular poder político, passa a ver-se acima da lei, como poderia eu citar um milhão de casos, desde a sonegação de imposto, subornos, compra de concessões ilegais, financiamentos ilegais de partidos até as não menos comuns contratação de pistoleiros, financiamento de milícias (exemplos perfeitos são os massacres de indígenas por parte de latifundiários, ou o financiamento pela Vale da tropa que assassinou 19 e feriu a queima ropa mais de 60 em carajás), desrespeito dos direitos trabalhistas e repressão dos movimentos sociais (exemplo perfeito o canteiro de obras da usina de jirau mês passado)...

Escuta, vai soar ridículo o que eu vou falar agora, mas é verdade. Eu tenho cara de playboy, de menininho nascido em família rica, assim como os amigos que estavam comigo. E sinceramente esse é o único motivo pelo qual não nos deram porrada e largaram esculachados numa esquina pouco movimentada.
Não é função da polícia oprimir o povo, subir em favela e espalhar humilhação e até mesmo agressão ou tiros entre gente inocente em busca de um comandante de tráfico. Você não vê polícia caminhando com fuzil e batendo em playboy por higienópolis, cidade jardim ou morumbi, procurando o mega empresário que sonegou imposto, ameaçou o jornalista de morte e pagou 5 milhões de propina para um deputado para conseguir privilégios.
Não é função da polícia disseminar o terror e garantir privilégio.

Parabéns, polícia militar, pela bela contribuição que oferece à nossa sociedade.

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