por Rodrigo Beny
''Estamos vivendo, e não só mais assistindo, um momento de grandes acontecimentos no Brasil e no Mundo. O infeliz disso é que as noticias e os fatos estão longe de serem as mais promissoras na vida da maioria da população. Catástrofes sem precedentes em nossa história, das mais variadas maneiras, estão despontando e abrindo caminho para uma crise ainda maior.
Desde os últimos meses do ano de 2010 o preço dos alimentos se eleva, mostrando que os grandes varejistas e mercados sugaram ao máximo os salários dos trabalhadores, elevando os preços o quanto foi possível. E com as outras contas do dia-a-dia se dá a mesma coisa, com o aumento do custo da passagem de ônibus e dos transportes em geral, do aluguel, da água, luz, telefone. Em toda casa há carnês de contas das lojas de magazine, e isso ainda é passado como desenvolvimento, como enriquecimento da população. Ora, quem alivia suas condições de vida juntando carnês de contas? Quem junta o carnê ou quem recebe a divida?
Acabamos de passar por um período em que a figura de um homem aparentemente humilde e “do povo” tomou conta de todo o debate eleitoral, que mais uma vez se fez de forma esvaziada e mesquinha. Se tratou de uma eleição em que concorriam partidos dominantes, que tem a missão de descarregar sobre os explorados as crises que eles criam. Os principais concorrentes para o cargo de presidente não divergiam muito, estava dada a mesma missão de manter o lulismo no país. Mas não podia ser de outra forma.
O real interesse dessas pessoas se esconde sob o véu das promessas políticas, pois são em sua maioria empresários, fazendeiros, ou “testas de ferro” dessa gente, e que, por conta disso, não podem de forma alguma modificar a situação penosa em que vivem as pessoas. Não podem modificar pois, a contradição entre o que eles querem e o que a população precisa não convergem para o mesmo ponto; para serem latifundiários, eles não podem repartir a terra – isto é, eles não se matarão sozinhos. A saída para a população estava em ela mesma formar seus centros de decisões, como nas organizações populares, seja por bairros, ruas, cidades, etc. mas devemos ter bem claro que eleição vai e eleição vem, o discurso não muda, nem as práticas mentirosas e falsas.
No meio de fatos e fatos que não param de ser noticiados, não há tempo nem para assimilar com clareza o que está acontecendo, rotinas pesadas de trabalho, somado com as atividades do lar não permitem que os problemas vistos sejam conhecidos mais a fundo. São casos e casos de sequestro, assassinatos tenebrosos, violência contra mulheres; violência contra negros, contra homossexuais – e todos eles sem punição. Com isso, não chegamos a lugar nenhum. Basta ver a situação em que se encontram as pessoas em Franco da Rocha, São Paulo, Região Serrana do Rio de Janeiro, em outros locais tão distantes como o Sri Lanka e a Austrália, países que sofrem o mesmo descaso dos governos, e agora a população arca com as consequências da mesma linha politica que seguem os governos do Brasil e os de la.
Países inteiros estão “pegando fogo” agora, ou estão como o nosso com a seca no nordeste que mata dezenas de pessoas todos os meses, e as enchentes no sudeste. Sem falar nos problemas que ocorrem nas outras regiões; a Tunísia vive dias em que ditadores de muitos anos estão tendo que fugir do país por conta da insatisfação geral causada por décadas de exploração aos jovens, que somam 75% da população e estão com desemprego na casa dos 40%. E a elite desse país também não descansa, e já tenta preparar novas eleições para colocar outro do mesmo tipo no lugar. No Haiti escândalos e mais escândalos: corrupção dos EUA e de outros governos que estão la “para ajudar na reconstrução do país”; soldados brasileiros que abusam da população; desvio de verbas destinadas à amenizar a miséria que reina, entre outros fatores.
Quando a calamidade atinge em cheio, como atinge agora, muitas contradições aparecem e se agudizam até um ponto incontrolável de tensão.
A onda de enchentes, alagamentos, deslizamentos, violência urbana, revelam o verdadeiro quadro em que está o Brasil. Não estamos diante da ascensão dos pobres, mas sim de uma maior exploração dessa classe, que agora terá que trabalhar em dobro para poder reconstruir tudo o que perdeu com as chuvas. E perderam porque obras que melhoram a vida das pessoas nos bairros que não são dos mais caros não valem a pena, não trazem dividendos. Tirando o metrô com que se faz grande propaganda (que é um grande negócio para a empresa que pega a administração dos serviços de transporte), não há um rumor de obras para melhorar o sistema de canalização de água – aliás, dos 41 piscinões necessários para absorver um mínimo dessas águas que varrem tudo por onde passam, somente 1 (um!) foi feito. As águas não levam somente carros e geladeiras, levam a vida de pessoas próximas e uma vida inteira de suor.
Então fica assim, quem mora no morro desce com o barranco. Quem mora no buraco morre afogado. Os “projetos antienchentes” estão parados no Congresso há muito tempo, já que a camarilha que la vive está mais ocupada agora gastando o exorbitante aumento que se concederam no fim do ano passado. Quando os bancos entraram em crise, há uns meses atrás, os governadores e presidente não ficaram com a bunda na cadeira, e se mexeram rapidamente para o repasse de verba. Mas porque nos casos de calamidade pública não acontece a mesma coisa?
Os governos e a Mídia, cinicamente, colocam a culpa das desgraças na chuva, ou ainda, na ocupação desordenada, e já prometem ajudas de milhões de reais para essas famílias. Será que elas vão receber dinheiro, ou são as empreiteiras que receberam essa ajuda e depois cobraram novamente desses desabrigados a conta pelos serviços? O orçamento para prevenção de enchentes, contenção de encostas e alagamentos em todo o país, foi de R$ 168 milhões no último ano do governo Lula, e agora no primeiro ano da presidente Dilma o montante é só de R$ 137,5 milhões. Este valor é uma piada contra a população, levando-se em consideração que foram gastos em 2010 quase R$ 200 bilhões com os juros das dívidas interna e externa, observem bem: foram Bilhões, e não milhões! Seria muito simples, se não fosse contrario ao que eles querem. Quem vai reconstruir as ruas, as casas, tudo o que foi devastado são os trabalhadores, mas quem vai lucrar com isso, são as grandes empresas, as engenharias famosas, toda essa gente que nessas horas desaparece.
Chegamos a ouvir, enquanto não há tanta água no ouvido, que a culpa das enchentes é a ocupação desordenada das casas em São Paulo. O governador do Rio, o hipócrita Cabral acusa a “permissividade” das “autoridades públicas” em deixar que as pessoas “escolham” viver nos barrancos e próximos às encostas, o que é simplesmente ridículo e uma piada nojenta e cruel. Como se as pessoas fizessem questão de morarem em lugares de difícil acesso, sem condições de salubridade, correndo riscos. Será que as mais de 560 (até agora) vitimas não ouviram os conselhos do governador, eram desobedientes e foram para os morros viver? Não da pra esperar coisa alguma desse ser que governa o Rio, só podemos esperar dele o nada ou o pior.
E, aos que tem fome e sede, está proibido o acesso. Quem tenta pegar no mercado o que lhe é essencial à vida, é reprimido. Não há tempo ruim para explorar! Seja de baixo de tempestade, deslizamento, o que for, tanto em cidades grandes como São Paulo e Rio de Janeiro, ou mesmo em pequenas. Os governadores estão desempenhando um grande esforço em garantir que a propriedade privada de burgueses não seja violada, mesmo que pra isso a população beire a morte, a fome, o descaso total.''
Extraído de anelasruas.wordpress.com
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