Há quase um mês a primeira página de qualquer grande jornal brasileiro é um artigo sobre Palocci. Antes disso, uma outra tentativa de crise que não vingou, a da ministra da cultura Ana de Hollanda e o final de semana no Rio de Janeiro. Parece de praxe que a mídia conservadora sempre busque algum escândalo para expor enquanto as notícias garantam leitores, a final, se orientam, acima de tudo, pela rentabilidade, como qualquer empresa privada. Normal (apesar de absurdo)?Sim, se analisarmos descontextualizadamente.
A direita no mundo vem perdendo seu discurso. O crescimento latinamericano aliado à intensificação dos movimentos populares, guinadas à esquerda (que parece ter vindo para ficar), conquistas sociais sem precedentes e a evolução de uma democracia parlamentar para a democracia plebiscitária que ganha força progressivamente, vem arrancando os cabelos das elites conservadores e seus representantes governistas. Na Europa, a guinada à extrema-direita que vem ocorrendo nas eleições municipais ou mesmo federais é o produto de uma desorientação popular frente uma crise mundial que se aproxima cada dia mais da dimensão da grande depressão de 29, buscando personificar em partidos (aqueles que governavam até então, no geral a esquerda) os cortes de gastos públicos e o retrocesso econômico. A extrema-direita européia vem ganhando espaço no cenário político enquanto culpa os esquerdistas e imigrantes, os tradicionais setores subversivos, da quebra do bem estar social tão idealizado por sociólogos no final do século passado. Dessa forma, tira-se o foco do verdadeiro cerne da crise. Apesar disso tudo, não é uma guinada verdadeira; não se sustenta em um discurso fundamentado em projetos reais de governo, em uma verdadeira ideologia, em soluções reais para a crise e as carências que só tendem a se ampliar; é um discurso sustentado em faláceas facilmente detectáveis visando manter, como num último espasmo, um modelo econômico.
No Brasil, os partidos que incorporam o discurso conservador - PSDB e DEM, por exemplo - nunca passaram por uma crise tão profunda; nunca viram-se tão incapacitados de opor-se aos seus 'adversários na disputa política' pelo governo, frente aos plausíveis avanços sociais e econômicos do governo Lula e a possível continuidade dos mesmos. O afilhado político do príncipe dos sociólogos, o tucano José Serra, decidiu, durante as eleições, recorrer aos sorrisos na hora das fotos, promessas demagógicas a todos os setores da sociedade e bolinhas de papel transformadas em garrafas de vidro; Não deu certo. Agora a disputa interna e a divisão psdebista entre Serra e Aécio - aliada à perda de discurso - delineia uma crise interna dificilmente solucionável. O DEM perde o espaço como ruralista para os pmdebistas e para a nova oposição do PSD.
Porém, a nossa mídia optou por engavetar isso tudo, recorrer ao sensacionalismo e a forjar uma possível crise governista petista, ou no mínimo multiplicar a sua dimensão. Claro que é um absurdo um ministro da fazenda prestar qualquer consultoria ao interesse privado, como o fez o ex-ministro Antônio Palocci. O perigo encontra-se em buscar personificar críticas que deveriam ser feitas, na realidade, ao contexto que torna possível que, não só Palocci, como também tantos outros ex-ministros da fazenda que tiveram empresas de consultoria, tantos outros congressistas que não exitariam por um segundo em declarar que recebem dinheiro do lobby brasileiro ou transnacional, tantos outros "representantes" que há muito esqueceram que não trabalham para o capital privado, mas sim para o interesse público - e também tomar cuidado para não virar um maniqueísmo besta dizendo que todo político é corrupto.
Tentativa tosca de personificar críticas, e desta forma atar partidos de centro-esquerda e seus aliados da esquerda no centro do tiro ao alvo das manchetes. É assim que eu leio a crise Palocci.
Amigo, bonito discurso o seu de intelectual de plantão. Nota-se que você deve ter uma boa família, que te pagou escola particular, que te proporcionou a possibilidade de "apenas" estudar e, "às vezes", até puxar um "fuminho" para relaxar, como todos das classes média e alta fazem, sustentando assim o pobre coitado da favela que usa o tráfico como meio de sobrevivência. Não seu ofenda, afinal, como você mesmo diz, tudo é culpa da direita corrupta que tanto explorou o sofrido povo brasileiro. Agora, pergunto para você, meu querido NEWpetistahugobolivarianocheguevarista:Você já tirou a bunda (desculpe-me pela expressão reacionária) da cadeira e andou pelo Brasil? Vc já foi na terra do Sr. Sarney, líder do partido que dá sustentação ao PT? Vc já foi ao Alogoas? Terra do nosso "querido" Collor, defensor ferrenho do Palocci, Delúbio e mazelas do mensalão? Vá para São Miguel dos Milagres, próximo 80 kl de Maceió. Vá ver como vive a população que o PT diz defender, os descamisados, lembra? Lá, amigão, o buraco é mais embaixo. Filhinho de papai da classe alta lá não tem vez. As coisas se resolvem "na peixeira". É um verdadeiro cangaço. Para você ter uma ideia, existe uma ponte que liga o continente à praia, ou seja nada a coisa alguma, que é absurda. Segundo informações que tive, demorou 10 anos para ser construída.Consumiu, segundo estimativas oficiais, 200 milhões de reais, dinheiro do governo federal, claro. Essa ponte, que liga a miséria à vontade de comer, tem mais de 50 pilares, passa um transatlântico por baixo, tranquilamente. É maravilhosa, absolutamente FARAÔNICA.Enquanto isso a população do bairro (não dá para chamar aquilo nem de vila) atravessa a ponte de bicicleta, o único emprego que alguns tinham antes era a balsa, que transportava os turistas (poucos, claro, porque ninguém é louco de ir naquele fim de mundo)e a população em geral. Agora, depois da ponte, nem isso eles têm. Lá as pessoas usam o rio (cuja ponte atravessa) como banheiro. Sim, banheiro, não esgoto, porque fazem suas necessidades DIRETAMENTE no rio. Para encuratar, vá para o Maranhão amigo. Vá ver o casarão antigo do Sr. Sarney, aliado da esquerda brasileira, que está caindo aos pedaços, porque o querido senador não tem dinheiro para restaurá-lo. Na verdade ele está esperando desmoronar tudo para poder vender para alguma construtora, já que se trata de um prédio tombado. Enfim, amigo, um presidente que fala que prisioneiro político que faz greve de fome em Cuba é pior que bandido de Carandiru e manda soltar um assassino italiano que sai da cadeia dando risada da nossa cara, merece, realmente, um texto como vc escreveu acima, desde que todos que são honestos e trabalhadores de verdade estejam bem longe do Brasil. Ah, mais uma coisa, se você for à Itália não diga que é brasileiro, senão corre o risco de apanhar.
ResponderExcluirAmigo, manifestei em algum momento meu apoio a Palocci, ou ao coronelista Sarney, em algum momento? Acho que deveria reler o meu texto. Aliás, concordo com boa parte do que você disse; realmente, sou de nascença playboy classe média, e isso não me impede de ser de esquerda. Não sou petista, não acredito em reforma sustentada na ordem neoliberal e "resgates" sociais com programas assistencialistas como o Bolsa Família. São, certamente, algo preterível a não fazer nada, mas não são solução.
ResponderExcluirEngraçado, acho que o senhor não leu meu texto até o final.
Reafirmo: não sou petista, não apoio o Palocci, mas principalmente não apoio a arbitrariedade na decisão de quem incriminar; não foram poucos os ministros dos governos anteriores (DOS governos anteriores) que tiveram ligações com empresas de consultoria, e está corretíssimo divulgar isso para população, denunciar quando há despotismo ,tanto na direita quanto na esquerda. Reafirmo que o problema é a arbitrariedade na decisão de quem/o que atacar, desmantelar.
Isso pode ser transposto para o plano internacional; porque ninguém faz sanção ou aprova um relator especial para os EUA, tão acusados de crimes contra a humanidade em Guantánamo, assassinatos de civis no Iraque, centenas de golpes militares e invasões unilaterais usando a OTAN? Porque ninguém aprova sanções a Israel quando em 2006 recusou a proposta de paz da Liga Árabe mediante a criação da Palestina? E por aí vai...
O problema, meu amigo, é a arbitrariedade. Foi isso que me levou a escrever o texto, e isso que me leva a defender sem recuar o que acima constatei.
Realmente muito bom você ter tido o privilégio de conhecer o Brasil de perto; Adoraria um dia poder ter essa experiência.
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